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Sexta-feira, 17 de Abril 2026

Misael Elias

🎭 Quando a festa vira palanque: o risco de confundir comunicação com promoção pessoal

📢 Uso da máquina pública no Carnaval acende alerta sobre impessoalidade e abuso de poder em ano eleitoral

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Por ContextoSC
🎭 Quando a festa vira palanque: o risco de confundir comunicação com promoção pessoal
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Quando a festa vira palanque — e o limite entre comunicação e crime começa a desaparecer

O Carnaval sempre foi uma das maiores expressões culturais do Brasil. É o momento em que o povo ocupa as ruas, celebra sua identidade e transforma a alegria em manifestação coletiva. Mas, nos últimos anos, uma pergunta incômoda passou a surgir com mais frequência: quando termina a valorização cultural e começa a promoção pessoal financiada com dinheiro público?

A recente repercussão envolvendo ações de comunicação associadas ao governo federal e à imagem do presidente durante o Carnaval reacendeu esse debate. Não se trata de questionar a importância da festa nem de negar o papel do poder público no incentivo à cultura. O ponto central é outro — é entender quando a comunicação institucional ultrapassa o interesse coletivo e passa a servir como ferramenta de construção de imagem pessoal.

Existe uma diferença clara entre divulgar uma ação de governo e promover um governante. A primeira é obrigação. A segunda, quando feita com recursos públicos, é desvio de finalidade.

E essa diferença se torna ainda mais sensível em ano eleitoral.

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A legislação brasileira é bastante objetiva ao estabelecer limites para a publicidade institucional. O princípio é simples: o recurso público deve informar, não promover; deve orientar, não enaltecer; deve servir ao cidadão, não ao ego de quem ocupa o cargo. Quando esse limite é ignorado, não estamos mais falando apenas de comunicação — estamos falando de abuso de poder.

O problema não é o Carnaval. O problema é usar o Carnaval.

Porque o Carnaval oferece algo que nenhum outro evento oferece na mesma escala: visibilidade emocional. As pessoas estão abertas, conectadas, participativas. Associar uma imagem política a esse ambiente é extremamente poderoso. E é justamente por isso que o cuidado deveria ser redobrado.

Esse debate, apesar de nacional, precisa servir como alerta também para a realidade municipal.

Nas cidades, o risco é ainda maior, porque a proximidade entre governo e população torna tudo mais visível — e, ao mesmo tempo, mais difícil de ser questionado. Uma faixa, um banner, um vídeo institucional ou até mesmo a forma como uma ação é apresentada podem ultrapassar a linha da informação e entrar no território da promoção pessoal.

E é nesse ponto que mora o perigo silencioso.

O gestor público precisa entender que a cadeira que ocupa não é extensão de sua identidade pessoal. É uma função temporária. O recurso que administra não é dele. É da população.

Quando um governante utiliza a estrutura pública, direta ou indiretamente, para fortalecer sua própria imagem, ele não está apenas cometendo um erro de comunicação. Ele está quebrando um princípio básico da administração pública: a impessoalidade.

E isso tem consequências.

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Não apenas jurídicas, que podem levar à caracterização de crime eleitoral, mas também morais e institucionais. Porque a confiança pública é construída sobre a percepção de justiça e equilíbrio. Quando essa confiança é abalada, o prejuízo é coletivo.

A comunicação pública é uma ferramenta poderosa demais para ser tratada como instrumento pessoal. Ela molda percepções, constrói narrativas e influencia decisões. Por isso, exige responsabilidade.

O cidadão pode até não conhecer todos os detalhes técnicos da legislação, mas percebe quando algo parece errado. Percebe quando o foco deixa de ser a ação e passa a ser a pessoa. Percebe quando a estrutura pública começa a servir mais ao governante do que à comunidade.

O Carnaval termina. A música para. As luzes se apagam.

Mas a forma como o poder foi exercido permanece.

E é justamente nesses momentos que se revela quem entende que governar é servir — e quem acredita que governar é aparecer.

Nota | Opinião

Em meio às recentes manifestações de carnaval, em que fantasias retrataram famílias “em conserva” como forma de crítica e deboche, escolho ressignificar essa imagem. Diferentemente do que pensam os foliões da desconstrução, estar “em conserva” significa manter o sabor, a qualidade e a integridade, mesmo com o passar do tempo e das modas passageiras.

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Se, para alguns, é motivo de riso, para mim é motivo de orgulho. Porque, enquanto o Carnaval acaba na quarta-feira, nossos valores permanecem intactos.

Não se trata de atacar ou diminuir ninguém. O respeito precisa acontecer dos dois lados. Assim como eu respeito a decisão individual de cada pessoa sobre como viver, pensar ou se expressar, também acredito que o respeito precisa ser mútuo.

No fim, mais importante do que qualquer rótulo, é lembrar que, por trás de cada “família em conserva”, existe amor, compromisso e a livre escolha de preservar aquilo em que se acredita.

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FONTE/CRÉDITOS: Misael Elias
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