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Domingo, 26 de Abril 2026
Filipe De Castro

🧠 Por que mulheres inteligentes e bonitas não encontram um homem à altura?

💭 A queixa é comum nos consultórios e mesas de bar: elas evoluíram, mas o mercado afetivo parece povoado por homens "desmontados" e sem iniciativa

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🧠 Por que mulheres inteligentes e bonitas não encontram um homem à altura?
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POR QUE MULHERES INTELIGENTES E BONITAS NÃO ENCONTRAM UM HOMEM A ALTURA? 

 

Minha amiga Clara, 34 anos, PhD e dona de um olhar crítico que derrete máscaras, resumiu o mercado afetivo atual com a precisão de um diagnóstico: “Os caras estão desmontados. Não é que sejam maus. É que parecem… inacabados. Sem iniciativa, sem repertório, sem eixo. Conversa vai, conversa vem, e eu descubro que estou fazendo a triagem emocional, conduzindo a entrevista, propondo os planos. Cansei de ser gerente de projetos do afeto alheio.”

A queixa não é isolada. Escuto variações disso no consultório, em jantares, nos grupos. É um coro de mulheres inteligentes, resolvidas, que escalaram montanhas profissionais e pessoais, e que agora se veem diante de um deserto relacional onde, supostamente, deveriam estar os seus parceiros. O problema, segundo elas, não é a falta de “um homem tradicional”. É a falta de um homem, ponto. Alguém que ocupe um lugar, qualquer lugar que não seja a passividade confusa.

A psicanálise nos ensina que o sujeito só surge quando assume um desejo e se responsabiliza por ele, com toda a angústia que isso traz. O que estamos testemunhando, talvez, seja uma crise histórica do desejo masculino. O roteiro antigo ruiu: o homem não precisa mais ser o provedor exclusivo, o herói inabalável, o dono da verdade (e do carro). Ótimo. O problema é que nenhum roteiro novo, vívido e desejável, surgiu para tomar seu lugar. Ficou um vazio. E no vazio, entram dois monstros: a inércia e o ressentimento.

O sujeito desmontado é aquele que, sem um modelo claro a performar, simplesmente para de performar. Ele não sabe mais como ser “um homem” para uma mulher que não precisa de um provedor, mas que ainda anseia por uma presença (intelectual, afetiva, erótica). A iniciativa morre não por falta de interesse, mas por medo do ridículo, do passo em falso, da acusação de ser machista por tomar uma atitude, ou fracote por não tomar. É a paralisia de quem tem medo de errar o script, quando o script não existe mais.

Daí o “sem conteúdo”. Não é falta de cultura (há muitos com playlists impecáveis e séries na ponta da língua). É falta de subjetividade própria. É a personalidade como um moodboard de referências externas, sem um eixo narrativo interno. O sujeito torna-se um agradador crônico (“o que você quer fazer?” “o que você pensa sobre?”), que, em sua tentativa desesperada de não ofender, não ocupa lugar nenhum. E não há nada menos desejável, para qualquer gênero, do que um vazio com shape em dia.

Do outro lado, a mulher contemporânea, muitas vezes, fez o caminho oposto: foi obrigada a se montar. A se fortalecer, a ter conteúdo, a tomar iniciativa, a ser sujeito de sua história. Ela se armou para a batalha do mundo. E agora, ao olhar para o parceiro em potencial, encontra não um antagonista digno, nem um aliado sólido, mas… um vago mal-estar ambulante. A frustração não é por ele não ser “o homem forte de antigamente”. É por ele nem sequer estar no jogo como um interlocutor à altura. A queixa é, no fundo, de solidão a dois.

A saída? Não há pílula mágica. Mas a psicanálise aponta um caminho: a construção de uma masculinidade subjetiva, não baseada em estereótipos externos, mas em um desejo assumido e nomeado. Parar de tentar “ser um homem” e começar a tentar ser uma pessoa, com suas fragilidades, suas perguntas, seus gostos peculiares e sua coragem singular. O homem interessante do século XXI não é o que tem todas as respostas. É aquele que tem perguntas próprias, e a coragem de fazê-las em voz alta. É o que troca a performance pela presença. Mesmo que trêmula.

Enquanto isso, no deserto dos apps, Clara continua seus swipes. Procurando, talvez, menos um homem pronto e mais um que, pelo menos, tenha as ferramentas e a coragem para se montar ao seu lado e não esperar que ela seja, mais uma vez, a arquiteta, a montadora e a usuária final de um romance que deveria ser obra coletiva.

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FONTE/CRÉDITOS: Filipe De Castro
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