O que permanecerá de nós?
As Pirâmides do Egito têm cerca de quatro mil anos. Para termos dimensão disso, quando Jesus Cristo nasceu, elas já existiam havia aproximadamente dois mil anos. Ou quando Cleópatra reinava, as pirâmides tinha cerca de 1940 anos. Ou seja, elas foram feitas para durar pela história. Enquanto impérios surgiram e desapareceram, guerras mudaram o curso da história e civilizações inteiras foram esquecidas, aquelas construções continuaram de pé.
Essa constatação nos leva a uma pergunta inevitável: o que estamos construindo no século XXI que permanecerá?
Vivemos na era da velocidade. Um vídeo de poucos segundos viraliza no TikTok e, dias depois, já foi substituído por outro. Consumimos informações em ritmo acelerado, mas raramente aprofundamos o conhecimento. O imediato passou a valer mais do que o duradouro.
O sociólogo Zygmunt Bauman descreveu esse fenômeno como a modernidade líquida: uma sociedade em que quase tudo é transitório. Relações tornam-se frágeis, opiniões mudam rapidamente, carreiras são tratadas como descartáveis e até os valores parecem depender da tendência do momento.
O problema é que uma sociedade não se sustenta apenas com novidades. Ela precisa de fundamentos. Famílias, independentemente de sua configuração, precisam transmitir princípios que resistam ao tempo: honestidade, responsabilidade, respeito e compromisso. O conhecimento que realmente transforma é aquele que atravessa gerações, e não apenas aquele que acumulamos para a próxima postagem.
No mundo profissional, também vale a mesma lógica. Nossa maior conquista não deveria ser um vídeo viral, mas uma reputação sólida. Uma marca pessoal construída com coerência, confiança e competência permanece muito depois que os holofotes se apagam.
As maiores obras da humanidade nunca foram feitas para durar uma semana ou uma moda passageira. Foram construídas pensando nas próximas gerações. Talvez devêssemos fazer o mesmo com nossa vida.
Porque, no fim, a pergunta que realmente importa não é quantas pessoas nos assistiram, nos curtiram ou nos seguiram. A pergunta é outra: qual será o nosso legado? O que deixaremos para aqueles que virão depois de nós? Aquilo que estamos construindo resistirá ao tempo ou desaparecerá com a próxima tendência?
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