Homero e a difícil arte de liderar
A estreia de A Odisseia, novo filme de Christopher Nolan, recoloca Homero no centro das atenções. Mais do que narrar batalhas e aventuras, o poeta grego construiu personagens que ainda ajudam a compreender um dos maiores desafios de quem lidera: conviver com decisões erradas e com o questionamento constante.
Existe uma ideia persistente de que um líder precisa acertar sempre. Homero desmonta essa expectativa logo nas primeiras páginas de suas obras.
Homero não tenta esconder os erros de Odisseu. Pelo contrário. Faz deles parte da história porque compreende que liderar nunca significou tomar apenas boas decisões.
Outro aspecto chama atenção. Nenhum desses líderes deixa de ser contestado. Reis são desafiados, comandantes perdem apoio e decisões são discutidas. A autoridade, em Homero, não elimina as críticas. Ela as torna inevitáveis.
Essa talvez seja uma das lições mais atuais de sua obra. Quanto maior a responsabilidade, maior também será o número de pessoas que julgam cada escolha. Liderar significa decidir quando não existem todas as respostas e aceitar que algumas decisões, mesmo tomadas com boa intenção, produzirão consequências indesejadas.
O valor de um líder, portanto, não está em construir uma imagem de infalibilidade. Está na capacidade de reconhecer um erro, corrigir a rota e continuar conduzindo aqueles que dependem de suas decisões.
Quase três mil anos depois, Homero continua lembrando que a liderança não é medida pela ausência de falhas, mas pela forma como se reage a elas. Quem nunca foi questionado provavelmente nunca precisou tomar decisões importantes. E quem nunca errou dificilmente assumiu o peso de liderar.
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