Florianópolis – A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ocorrida na tarde deste sábado (03), gerou reações imediatas e distintas no cenário político de Santa Catarina. O evento reaqueceu o debate entre as principais forças partidárias do estado. Parlamentares ligados à direita e ao PL destacaram a ação como necessária para a restauração da democracia, enquanto representantes da esquerda e partidos progressistas questionaram a legalidade da intervenção externa e o respeito à soberania do país vizinho.
Impacto Demográfico e Econômico
Para além do debate ideológico, Santa Catarina acompanha o caso com atenção devido à forte ligação migratória estabelecida nos últimos anos. O estado é um dos principais destinos da "Operação Acolhida" e da migração espontânea em busca de oportunidades de trabalho.
Dados compilados até o final de 2025 indicam que mais de 30 mil venezuelanos residem em território catarinense. Relatórios do Ministério da Justiça e da Operação Acolhida apontam que, entre 2018 e o início de 2024, o estado já havia recebido oficialmente 27.212 venezuelanos pelo programa de interiorização. Cidades como Chapecó, Joinville e Florianópolis concentram a maior parte dessa população, que hoje é vital para a força de trabalho na agroindústria, construção civil e setor de serviços.
A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) acompanha o desenrolar da crise. Embora as trocas comerciais diretas com a Venezuela sejam pouco significativas para a balança comercial do estado, a atenção se volta para a dinâmica migratória. O setor produtivo avalia se a mudança de cenário político poderá incentivar o retorno de imigrantes ao seu país de origem, o que impactaria a oferta de mão de obra em regiões onde a escassez de trabalhadores qualificados já é um desafio.
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