Urupema – Mais do que uma iguaria típica das baixas temperaturas, o pinhão consolidou-se como um pilar econômico fundamental para Santa Catarina. Responsável por quase 35% da produção nacional, o estado colheu 5,4 mil toneladas da semente em 2025, movimentando mais de R$ 32 milhões. O setor, impulsionado pela agricultura familiar, conta com incentivos fiscais estratégicos, como a Lei 15.465/2011, que isenta o ICMS da comercialização para aumentar a competitividade dos pequenos produtores serranos.
Para muitas famílias da Serra Catarinense, a safra representa a principal fonte de renda no período em que as pastagens escasseiam e outras culturas cessam. É o caso de Dercírio Alves de Arruda, de 77 anos, pioneiro na venda da semente em Urupema. "O pinhão representa uma renda que chega na hora certa", afirma o produtor, que hoje vê o alimento chegar a mercados distantes, como o Japão. O trabalho, no entanto, é árduo: catadores como Adair de Liz Ribeiro chegam a colher uma tonelada por dia, enfrentando os riscos de escalar as araucárias para garantir o sustento familiar.
Além do mercado externo, o governo estadual tem focado no consumo interno e na valorização da identidade regional. A Lei 19.130/2024 agora obriga que o pinhão da merenda escolar seja adquirido diretamente da agricultura familiar catarinense, injetando recursos nas comunidades rurais e promovendo a educação ambiental nas escolas. Paralelamente, pratos como o entrevero e a paçoca de pinhão foram elevados ao status de patrimônio cultural imaterial de Santa Catarina, blindando a tradição gastronômica que une o passado tropeiro ao futuro econômico do Planalto Serrano.
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