Florianópolis — Santa Catarina enfrenta um cenário de alerta no combate ao tabagismo. Enquanto o Brasil construiu nas últimas décadas um histórico consistente de queda no número de consumidores de tabaco, o Estado mantém índices significativamente superiores à média nacional e voltou a registrar crescimento no consumo de cigarros convencionais. Dados apontam que, enquanto a taxa média de fumantes adultos no país varia entre 9% e 10%, em território catarinense a proporção atinge cerca de 13%.
O diagnóstico ganha ênfase após o Dia Nacional de Combate ao Fumo, lembrado no fim de agosto, e coincidiu com a campanha Agosto Branco, focada no diagnóstico precoce do câncer de pulmão. De acordo com a pneumologista Dra. Leila John Marques Steidle, coordenadora do Núcleo de Estudos e Tratamento do Tabagismo, a recente curva ascendente tem forte relação com a popularização dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs), os chamados vapes e cigarros eletrônicos, sobretudo entre adolescentes e jovens adultos.
A especialista alerta que formulações modernas presentes nos dispositivos eletrônicos suavizam a irritação inicial na garganta — sintomas como tosse e pigarro que costumavam afastar iniciantes no tabagismo tradicional. Isso induz à inalação de cargas massivas de nicotina sem que o usuário perceba a gravidade da exposição, acelerando a dependência química e atuando como ponte direta para o consumo concomitante de cigarros convencionais. Além de agravar condições respiratórias como a asma e a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), a substância eleva a pressão arterial, sobrecarrega o sistema cardiovascular e amplia o risco de infartos, AVCs e amputações periféricas. O abandono do "nicotinismo" exige suporte multidisciplinar contínuo, combinando estratégias comportamentais e acompanhamento médico especializado.
