Florianópolis – O governo de Santa Catarina recebeu nesta sexta-feira (16) os dados consolidados da economia de 2025, celebrando um crescimento industrial de 3,4% e comercial de 5,7% — índices muito superiores à média nacional. No entanto, a euforia do Centro Administrativo com os gráficos contrasta drasticamente com a "vida real" do catarinense, que inicia 2026 pressionado pela disparada nos combustíveis, perda do poder de compra e o caos persistente na saúde pública.
Se no papel Santa Catarina é o "estado que pula o Brasil", como repete o governador Jorginho Mello (PL), nas ruas a sensação é de que o custo de vida saltou ainda mais alto. O recente aumento na alíquota do ICMS estadual empurrou a gasolina para além dos R$ 6,40, criando um efeito cascata que encarece o frete e ameaça contaminar o preço dos alimentos, corroendo o salário das famílias justamente quando o comércio parecia respirar.
Saúde na UTI e Bolso Vazio Os números positivos da indústria metalmecânica (+12,3%) e a venda de artigos farmacêuticos não resolvem o problema imediato de quem depende do serviço público. A narrativa de sucesso econômico tenta servir de cortina de fumaça para as intermináveis filas na saúde, onde a espera por cirurgias eletivas e leitos continua sendo um gargalo crônico não solucionado pela atual gestão.
Analistas alertam que o "trunfo econômico" pode ter perna curta. Com o orçamento doméstico cada vez mais comprometido pelo tanque de combustível e pela cesta básica, o poder de compra real — aquele que movimenta a economia na ponta — corre sério risco de estagnar. Enquanto o governo blinda sua imagem com percentuais de crescimento, a população paga a conta da inflação e da falta de serviços essenciais.
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