Santa Rosa de Lima – Um estudo científico publicado recentemente na revista internacional Memórias do Instituto Oswaldo Cruz acendeu um alerta para a saúde pública em Santa Catarina. Pela primeira vez, pesquisadores confirmaram a presença do mosquito Haemagogus leucocelaenus, o principal transmissor da febre amarela silvestre, em áreas de mata dos municípios de Santa Rosa de Lima, Rio Fortuna, Braço do Norte, São Martinho e Pedras Grandes.
A pesquisa, liderada pela bióloga Sabrina Fernandes Cardoso em parceria com a Fiocruz, aponta que a identificação do vetor nestas localidades representa um risco real de circulação do vírus, especialmente em zonas rurais e de borda de mata. Segundo os especialistas, fatores como o aumento das temperaturas e o regime de chuvas frequentes em Santa Catarina favorecem a proliferação desses insetos e a potencial disseminação da doença.
Diante do registro inédito, as autoridades de saúde reforçam que a vacinação é a medida preventiva mais eficaz. Disponível gratuitamente pelo SUS em todo o estado desde 2018, a dose é recomendada para todas as pessoas que residem ou transitam pelas áreas identificadas. Além da imunização, orienta-se o uso frequente de repelentes e a manutenção da vigilância constante em áreas de preservação ambiental.
Diferenças entre a silvestre e a urbana
A principal diferença entre a febre amarela silvestre e urbana é o mosquito vetor e o ambiente de transmissão, embora o vírus e os sintomas sejam idênticos. A forma silvestre ocorre na mata, transmitida por Haemagogus e Sabethes, enquanto a urbana seria transmitida pelo Aedes aegypti. A febre amarela urbana não é registrada no Brasil desde 1942.
- Febre Amarela Silvestre (FAS):
- Vetor: Mosquitos Haemagogus e Sabethes.
- Local: Áreas de mata, florestas e zonas rurais.
- Ciclo: O vírus circula entre primatas não humanos (macacos), e o homem é infectado acidentalmente ao entrar na mata.
- Transmissão: Não é transmitida de pessoa para pessoa, apenas pela picada do mosquito.
- Febre Amarela Urbana (FAU):
- Vetor: Mosquito Aedes aegypti.
- Local: Cidades e áreas densamente povoadas.
- Ciclo: O homem infectado (que contraiu na mata) traz o vírus para a cidade, onde o Aedes aegypti pica essa pessoa e transmite para outras.
- Risco: O risco principal é a reurbanização da doença.
- Vírus: Ambos os tipos são causados pelo mesmo vírus (Flavivírus).
- Sintomas: Febre de início súbito, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, náuseas e icterícia.
- Prevenção: A vacina é a forma mais eficaz de prevenção para ambas as formas, indicada para quem reside ou viaja para áreas de risco.
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