Uma simples campanha publicitária de fim de ano tornou-se o novo epicentro da polarização política em Santa Catarina. O comercial da marca Havaianas, protagonizado pela atriz Fernanda Torres, desencadeou uma onda de protestos, boicotes e reações virais entre lideranças e empresários conservadores do estado, que enxergaram na peça uma mensagem subliminar contra a direita brasileira visando as eleições de 2026.
A Polêmica do "Pé Direito"
No vídeo, que começou a circular nesta semana, Fernanda Torres sugere que os brasileiros não entrem em 2026 com o tradicional "pé direito" (símbolo de sorte), mas sim com "os dois pés", insinuando uma entrada mais enfática e corajosa no novo ano.
Para a base conservadora catarinense, no entanto, o trocadilho foi recebido como uma provocação política. A interpretação é de que a sugestão de abandonar o "pé direito" seria uma alusão direta ao espectro político da Direita, especialmente em um ano pré-eleitoral decisivo.
Reações em Cadeia no Estado
Santa Catarina, reduto eleitoral consolidado do conservadorismo e do PL (Partido Liberal), foi o palco das reações mais contundentes ao comercial.
Em Pomerode, o prefeito Rafael Ramthun (PL), eleito em 2024, protagonizou um dos vídeos mais compartilhados nas redes sociais. Na gravação, Ramthun utiliza uma faca para cortar o logotipo da marca de um par de sandálias, declarando que, como consumidor e político de direita, não aceita o que classificou como "marketing ideológico". "Faxina de fim de ano é também remover o que não soma", afirmou o prefeito, convocando seus seguidores a boicotarem a marca.
A reação também atingiu o varejo. Em Brusque, polo têxtil do estado, a Lojas Guarani tomou uma atitude drástica: colocou todo o seu estoque de Havaianas à venda pelo preço simbólico de R$ 1,00. A liquidação relâmpago, que gerou filas quilométricas e esgotou os produtos em poucas horas, foi anunciada como um ato de protesto. O proprietário informou que cancelou todos os pedidos futuros com a fabricante Alpargatas e que não comercializará mais a marca.
O "Mico de Natal"
O empresário brusquense Luciano Hang, dono da rede Havan e figura central do bolsonarismo no estado, também endossou o coro de críticas. Hang classificou a campanha como o "mico do Natal" e anunciou o cancelamento de pedidos da marca em sua rede de lojas, reforçando a narrativa de que empresas que optam pela "lacração" (termo usado para definir posicionamentos progressistas de marcas) acabam prejudicando seus próprios negócios.
Contexto Político
O episódio reflete o clima de "guerra cultural" que segue aquecido em Santa Catarina. Parlamentares da bancada catarinense em Brasília e na Assembleia Legislativa (Alesc), como Ana Campagnolo e outros nomes do PL, têm mantido uma postura vigilante contra empresas e instituições que, na visão deles, promovem pautas de esquerda.
Até o fechamento desta matéria, a Alpargatas, dona da marca Havaianas, não havia emitido nota oficial respondendo especificamente aos boicotes em Santa Catarina.
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