O Valor do Óbvio: Reflexões sobre a Fala da Monja Coen
Por Felipe Gabriel Schultze
No meio corporativo, é comum ouvirmos que “o óbvio precisa ser dito”. Em geral, essa frase vem carregada de um tom de repreensão, quase como uma bronca diante de falhas comportamentais evidentes. Mas o que é curioso é que, muitas vezes, aquilo que é considerado óbvio não é, de fato, praticado no cotidiano.
Foi justamente sobre esse “óbvio” que tratou a Monja Coen durante palestra realizada em Florianópolis no último dia 11, na Associação Catarinense de Medicina. Em uma abordagem que fugiu do tom corretivo típico do ambiente corporativo, ela trouxe reflexões simples, porém profundas, com leveza, afeto e uma didática quase lúdica.
E eram, de fato, coisas óbvias: falar de coletividade, de bem-estar, de tratar bem as pessoas e de cultivar relações saudáveis na comunidade, no bairro, no ambiente de trabalho e na família. Falar de presença, de atenção ao agora e de agir com responsabilidade dentro dessa grande teia da vida. Nada disso é novo. Nada disso é complexo. Ainda assim, raramente é dito de forma clara e frequente.
Talvez esteja aí um dos principais problemas. O que não é dito não é lembrado; e o que não é lembrado dificilmente se transforma em prática. No ambiente corporativo, especialmente, onde a pressão por resultados muitas vezes se sobrepõe às relações humanas, valores como empatia, apoio mútuo, resiliência e cuidado acabam ficando em segundo plano. São considerados básicos demais para serem reforçados quando, na verdade, são essenciais demais para serem ignorados.
A fala da Monja Coen ganha força justamente por resgatar o óbvio sem agressividade. Em vez da cobrança, ela oferece acolhimento; em vez da crítica, propõe consciência. E isso faz toda a diferença, porque a forma como algo é dito impacta diretamente na maneira como será recebido e, principalmente, colocado em prática.
Em um mundo onde a produtividade frequentemente fala mais alto do que as relações, talvez o verdadeiro diferencial esteja em relembrar, com gentileza, aquilo que nunca deveria ter sido esquecido.
Que essas ideias, tão simples quanto necessárias, possam nos acompanhar ao longo da semana e se reflitam não apenas no trabalho, mas também no cuidado com a nossa comunidade, com o nosso bairro e com as relações que sustentam o cotidiano.
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