Florianópolis – A falta de dados consolidados sobre crianças e adolescentes que perderam as mães em casos de feminicídio em Santa Catarina motivou uma reunião, nesta sexta-feira (19), entre o Ministério Público (MPSC) e a Polícia Científica. Conduzido pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT), o encontro deu início a um trabalho conjunto que visa identificar esses órfãos e garantir que eles tenham acesso imediato à rede de proteção social.
Atualmente, o estado não possui um levantamento unificado sobre essas vítimas indiretas. As poucas informações disponíveis estão fragmentadas ou restritas aos inquéritos policiais, que nem sempre detalham a quantidade de filhos da vítima. Um dado preliminar do MPSC revela que 45,9% das mulheres mortas tinham filhos com o próprio agressor, mas não há um mapeamento sobre onde ou como essas crianças estão vivendo hoje.
A iniciativa pretende cruzar dados para tirar esses menores da invisibilidade, permitindo que a assistência social acompanhe cada caso — especialmente os daqueles que foram acolhidos por instituições por não possuírem rede de apoio familiar. O projeto também facilitará o acesso a direitos fundamentais, como a pensão especial para dependentes de vítimas de feminicídio e o atendimento psicológico na rede de saúde.
