Florianópolis – A trajetória de Raquel Guesser, que convive há duas décadas com as dores da fibromialgia, reflete a realidade de milhares de catarinenses. Estima-se que entre 100 mil e 150 mil pessoas no Estado enfrentem a síndrome crônica, marcada por dor generalizada, fadiga e distúrbios do sono. O cenário, no entanto, começou a mudar com o reconhecimento legal da condição como deficiência (PcD) em Santa Catarina, iniciativa que serviu de modelo para a recente legislação federal.
A campanha Fevereiro Roxo intensifica este mês a conscientização sobre a doença, que atinge predominantemente mulheres (80% dos casos). O deputado Maurício Peixer (PL), autor da lei catarinense nº 18.928, destaca que a legislação foi fundamental para dar visibilidade a uma "condição invisível". Com a equiparação à PcD e a criação da Carteira Estadual de Identificação — com mais de 1,5 mil unidades já emitidas —, os pacientes garantem prioridade em atendimentos, cotas em concursos e isenções tributárias.
Além das garantias jurídicas, o Estado avançou na assistência clínica. Em 2024, foi instituída a Linha de Cuidado para a Atenção à Saúde das Pessoas com Dor Crônica, fortalecendo a rede do Sistema Único de Saúde (SUS). A medida busca assegurar que o diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar cheguem de forma mais ágil aos pacientes, reduzindo o impacto da síndrome na rotina produtiva e pessoal dos catarinenses.
Outras iniciativas
Outra medida pioneira do Parlamento catarinense foi a aprovação da Lei nº 19.136/2024, que institui a Política Estadual de Fornecimento Gratuito de Medicamentos à base de Cannabis pelo SUS estadual.
De autoria da deputada Paulinha (Podemos), a legislação beneficia pacientes com doenças como a fibromialgia, ampliando as alternativas terapêuticas disponíveis.
Mobilização e voz ativa
Para o médico Marcelo Coltro, a campanha Fevereiro Roxo é um alerta essencial para estimular a prevenção e o diagnóstico precoce.
“A promoção dessas campanhas representa um momento de conscientização da população”, avaliou, reforçando a importância da realização de exames de rotina, tanto laboratoriais quanto clínicos.
“Viver com fibromialgia significa enfrentar dores contínuas que transformam até os menores movimentos em grandes desafios”, desabafou Raquel Guesser, representante da associação Fibrofloripa.
Ela acredita que a doença foi desencadeada por um trauma emocional. “Chegou como um gatilho. Demorei a entender essa conexão. A gente não percebe, mas o corpo fala o tempo todo.”
Nas redes sociais, mulheres que convivem com a condição relatam sentimentos semelhantes de impotência e invisibilidade.
“Meu corpo grita e ninguém escuta”, resume Carla.
Com nome e sobrenome, elas reivindicam reconhecimento e respeito. Em Santa Catarina, a legislação trouxe visibilidade e segurança jurídica.
“Agora temos direitos. Conquistamos reconhecimento com a carteirinha”, destacou Raquel.
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