As exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos registraram uma queda de 19,5% em agosto, o primeiro mês de vigência da nova tarifa de 50% imposta pelo governo norte-americano. O setor de madeira e móveis foi o mais afetado, com retração de 34,9% em alguns segmentos.
Apesar do forte recuo para o mercado norte-americano, o estado registrou um crescimento geral nas exportações, com alta de 1,54% em agosto, totalizando US$ 971,4 milhões.
Segundo o economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), Pablo Bittencourt, a queda nas vendas para os EUA era esperada. O economista aponta que o resultado foi influenciado por dois fatores: a antecipação de pedidos por clientes norte-americanos, que estocaram produtos antes do aumento das tarifas, e a subsequente suspensão de novas encomendas.
"Foi uma redução significativa em agosto, mas foi um movimento que já esperávamos. Nos próximos meses, teremos condições de analisar como as exportações para os Estados Unidos vão se comportar", explicou Bittencourt.
Mesmo com a queda, os EUA continuam sendo o principal destino dos produtos catarinenses, com as exportações somando US$ 119,2 milhões no oitavo mês do ano.
Setor de madeira e móveis é o mais impactado
Bittencourt destaca que o setor de madeira e derivados é o mais vulnerável, já que possui uma alta exposição ao mercado norte-americano e produz itens específicos para a região.
O segmento de obras de carpintaria para construções teve uma queda de 34,9%, enquanto a exportação de madeira compensada recuou 30% e a de madeira serrada, 17,2%. Outros produtos que apresentaram queda nas exportações foram partes de motor (-42,7%) e carne suína (-6,2%).
Por outro lado, alguns dos principais produtos de exportação catarinenses registraram alta em agosto:
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Carne de aves: +9,9%
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Soja: +16,1%
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Motores elétricos: +4,2%
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Transformadores elétricos: +28,7%
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Papel kraft não revestido: +34,4%