Esta semana, as escolas de Gravatal intensificaram as atividades pedagógicas voltadas ao reconhecimento e à valorização da cultura afro-brasileira por conta do Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro. A data reforça a importância da igualdade racial; por isso, foram desenvolvidas ações que integram o trabalho contínuo sobre identidade, história e respeito à diversidade, além de vivências gastronômicas, artísticas e culturais com crianças de diferentes faixas etárias.
Na Escola Naíde Guedert Teixeira, uma atividade especial dedicada à culinária afro-brasileira apresentou às crianças de 4 a 6 anos a feijoada. Elas aprenderam sobre a origem do prato, seus temperos e ingredientes, além da sua importância na cultura nacional. Durante a refeição, degustaram a iguaria e relacionaram a experiência aos conteúdos estudados sobre a história e a cultura africana e afro-brasileira.
A diretora Dorly Spíndola Laureth Zanelato explica que os estudos são desenvolvidos ao longo de todo o ano letivo, mas ganham maior ênfase no mês da Consciência Negra. Além da vivência gastronômica, os alunos confeccionaram bonecas Abayomi — feitas com nós e retalhos coloridos, símbolos de resistência e afeto — e participaram de brincadeiras, rodas de dança e atividades como capoeira.
“Durante a socialização da feijoada, foi possível perceber a emoção das crianças ao compreender a identidade, a história e o valor da cultura afro-brasileira. Agora, o conhecimento vira consciência contra o preconceito, o bullying e o racismo”, afirmou.
De volta às raízes no Quilombo da Taboa
Outra ação de destaque envolveu os alunos dos 3º e 4º anos das escolas Geraldina Maria Tavares e David Fileti, que realizaram uma viagem de estudos à Comunidade Remanescente de Quilombo da Taboa, no bairro Ilhotinha, em Capivari de Baixo. A visita integrou os conteúdos de Artes e proporcionou aos estudantes contato direto com tradições, histórias e modos de vida quilombolas.
A recepção foi conduzida pelo senhor Carlos, conhecido como Tinho, que compartilhou relatos sobre a memória da comunidade, seu patrimônio cultural e a importância da resistência ao longo das gerações. Os estudantes observaram objetos artesanais, conheceram antigos engenhos de farinha e aprenderam sobre aspectos da vida cotidiana quilombola.
Segundo a professora Jullia da Rosa Zapelini, a atividade ampliou o repertório cultural das turmas e possibilitou vivências alinhadas ao que vinha sendo estudado em sala de aula.
“A visita aproximou os alunos das manifestações artísticas afro-brasileiras e permitiu que conversassem com alguém que vive essa realidade. O que mais chamou a atenção foram as histórias contadas pelo Sr. Tinho, os objetos expostos e tudo o que ele explicou sobre resistência e ancestralidade. Essa vivência foi muito importante para o Dia da Consciência Negra, por valorizar a herança africana e fortalecer o respeito à história e à luta do povo quilombola”, destacou.