O 1º Seminário Estadual das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICs), promovido pela Comissão de Trabalho do Fórum Parlamentar das PICs (FORPICs) e realizado na sede do Parlamento Catarinense nesta terça-feira, 20, trouxe casos de práticas bem-sucedidas em municípios do Estado.
Foram exibidas experiências de sucesso na implementação de PICs, como o do município de Braço do Norte, que criou em 2018, durante a administração de Beto Kuerten Marcelino e Ronaldo Fornazza, com a supervisão do secretário de Saúde Sérgio Arent, o Centro de Educação em Saúde de Práticas Integrativas (Cespi), oferecendo atividades de dança, meditação e reiki como método para auxiliar em tratamento de pacientes locais.
As práticas foram implantadas após parceira entre prefeitura local, conselho de saúde e voluntários, diante de uma alta incidência de usuários do SUS em busca de atendimento na área de saúde mental. Hoje atende em média 582 pacientes ao mês.
Reflexologia
Outro exemplo demonstrado foi o do município de Balneário Piçarras, que adotou a reflexologia como recurso terapêutico desde 2014. O atendimento começou nos Centros de Atenção Psicosocial (CAPS) e, depois, se estendeu aos grupos de vivências com Shantala (massagem indiana para bebês).
“Não possuíamos no quadro da saúde a possibilidade de contratação de um naturólogo e foi necessária que nossa primeira profissional ocupasse um cargo comissionado”, conta a coordenadora da Saúde Básica, Carolina Genovese. “Quando percebemos a melhora na qualidade de vida de pacientes, houve uma mobilização e a Câmara Municipal aprovou a criação do cargo em nossas unidades. Temos dois naturólogos em nosso município”.
Atualmente, o município oferece além de reflexologia serviços de arteterapia, shantala, Lian Gong (técnica corporal da Medicina Tradicional Chinesa), fitoterapia, auriculoterapia, acupuntura e balneoterapia em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e atende em mais de duas mil pessoas ao ano.
Plantas medicinais
Servidor da Assembleia Legislativa de Santa Catarina há quase 50 anos, Alesio dos Passos participou do 1º Seminário Estadual das PICs para reforçar a proposta de criação de farmácias vivas no Estado.
Criador de mais de 100 farmácias vivas no estado de Santa Catarina, Alesio conta que a sede do Parlamento abrigou a primeira criada em Florianópolis. “A proposta da farmácia viva é aliar o saber popular com o conhecimento da ciência para chegar mais perto da verdade e da cura”, destaca ele, que atualmente promove a prática junto aos profissionais de saúde e municípios. “Existem plantas mais seguras do que o remédio de farmácia. Cabe a nós, saber a necessidade, indicação e dosagem para cada indivíduo”.
O uso de plantas medicinais, a fitoterapia, integra o rol de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) que foram regulamentadas em 2016 pelo Governo Federal e em 2019 em Santa Catarina.
“Antes do jaleco as pessoas buscavam se curar com plantas e palavras, recorrendo às benzedeiras”, afirma Alesio. “Hoje existe uma onda mundial para cura com fitoterápicos, principalmente em quadros de depressão”.
Realizado no Plenarinho da Assembleia, o seminário também possibilitou que participantes realizassem atividades de yoga e uriculoterapia, uma técnica que se baseia na aplicação de pressão em pontos específicos da orelha, semelhante à acupuntura. Ela é utilizada para tratar uma variedade de problemas de saúde, incluindo osteoartrite, enxaqueca, lesões musculares e insônia.
O principal objetivo do 1º Seminário Estadual das PICs é buscar incentivar os municípios catarinenses a incluir as Práticas Interativas no atendimento, principalmente na rede primária.