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Sábado, 18 de Abril 2026

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Assembleia debate crise do leite em Santa Catarina e medidas emergenciais

Parlamento catarinense discute alternativas para conter crise no setor leiteiro, proteger produtores e buscar ações emergenciais junto ao governo federal.

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Assembleia debate crise do leite em Santa Catarina e medidas emergenciais
Rodrigo Corrêa/Agência AL
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Santa Catarina vive, em 2025, uma grave crise no setor leiteiro, que afeta diretamente a economia rural e a sobrevivência de mais de 30 mil famílias produtoras. Preocupada com essa situação, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), por meio da Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural, realizou, na noite de quarta-feira (12), uma audiência pública para debater a crise e buscar soluções conjuntas. O encontro reuniu deputados estaduais, representantes do governo estadual, SindileiteOcescFaesc, cooperativas e produtores rurais, e teve como objetivo discutir medidas emergenciais, como o controle das importações, o apoio financeiro temporário e o incentivo à industrialização e à agregação de valor ao leite produzido no estado. O auditório Antonieta de Barros ficou lotado por trabalhadores que carregavam no peito um adesivo dizendo: Luto pelo Leite.

Queda no preço e desestímulo à produção

Nos últimos meses, o preço pago ao produtor despencou de cerca de R$ 2,40 para menos de R$ 1,80 por litro, valor que não cobre os custos de produção, pressionados pelo aumento do preço do milho, do farelo de soja, da energia elétrica e do transporte. Segundo dados da Epagri/Cepa, o estado registrou uma queda superior a 10% na produção em relação ao mesmo período de 2024, reflexo do desestímulo e do abandono da atividade por pequenos agricultores.

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Ações e encaminhamentos

Durante a abertura da audiência, o presidente da Alesc, deputado Julio Garcia (PSD), destacou a importância do encontro como mais uma demonstração da preocupação do Parlamento estadual com os principais temas que afetam Santa Catarina. “O objetivo desse encontro é o debate, é buscar soluções conjuntas para o problema do baixo preço do leite, que vem massacrando os produtores rurais catarinenses. O tema será levado também à bancada federal, por meio do Fórum Parlamentar Catarinense, a fim de sensibilizar o governo federal e acelerar medidas de apoio ao setor.”

Garcia ainda destacou que “Santa Catarina é um estado essencialmente agrícola e um dos pilares do agronegócio nacional. Portanto, a união entre produtores, parlamentares e instituições é o caminho para encontrar soluções práticas e eficazes para o setor leiteiro”, comentou.

Panorama nacional e propostas

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço médio nacional do litro de leite pago ao produtor apresentou forte queda nos últimos meses, passando de R$ 2,66 em outubro de 2024 para R$ 2,22 em 2025. A redução preocupa o setor e tem provocado prejuízos expressivos aos produtores catarinenses, responsáveis por cerca de 8% da produção nacional.

O deputado Altair Silva (PP), presidente da comissão realizadora do evento e também propositor da audiência, destacou que a situação é urgente e exige ações coordenadas entre governo e setor produtivo. “O produtor de leite está no limite. Juntos, debatemos e ouvimos saídas para os mais de 20 mil produtores catarinenses. Somos o quarto estado em produção nacional e não podemos permitir que essa crise comprometa uma das cadeias mais importantes do nosso agronegócio. É hora de unir forças para garantir que o leite continue sendo sinônimo de sustento, dignidade e desenvolvimento no campo catarinense”, comentou o parlamentar. “Estamos trabalhando para que o projeto do leite em pó seja aprovado nos três estados do Sul.”

Importações e concorrência desleal

Outro fator agravante é a entrada de leite importado de países do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai, que chega ao mercado brasileiro a preços até 30% mais baixos. Essa concorrência desleal tem levado laticínios locais a reduzir a compra de leite catarinense, ampliando o prejuízo dos produtores.

O presidente da Alesc, Julio Garcia, ainda destacou, em sua fala, a celeridade que a Casa dará ao Projeto de Lei 768/2025, de autoria dos deputados Altair Silva e Oscar Gutz (PL), que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido em Santa Catarina, como medida emergencial para auxiliar o setor.

FONTE/CRÉDITOS: Alesc
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