Florianópolis – A assinatura do histórico acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, formalizada em Assunção no último dia 17 de janeiro, representa a maior quebra de paradigma para a economia catarinense nas últimas décadas. Para um estado onde o mercado externo responde por cerca de 30% do PIB industrial, o tratado deixa de ser apenas uma oportunidade comercial e vira uma exigência de modernização imediata.
Confira abaixo os principais impactos mapeados para Santa Catarina:
🍖 1. Os Vencedores: A Força do Oeste No curto prazo, o agronegócio é quem estoura o champanhe. O complexo de carnes, motor do Oeste, terá acesso facilitado a 450 milhões de consumidores de alta renda.
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Aves e Suínos: Gigantes como BRF, JBS e Aurora, beneficiadas pelo status sanitário de SC (livre de aftosa sem vacinação), poderão ampliar cotas de exportação com tarifa zero ou reduzida, diminuindo a dependência da China.
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Nichos: O setor pesqueiro de Itajaí/Navegantes e os exportadores de mel ganham competitividade imediata com o fim de tarifas que hoje variam de 10% a 20%.
🍷 2. O Alerta: Vinhos e Queijos Se o Oeste celebra, a Serra e o Vale do Itajaí ligam o sinal amarelo. A entrada de produtos europeus sem impostos coloca pressão direta sobre a produção nobre do estado.
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Vinhos de Altitude: Rótulos da Serra Catarinense concorrerão por preço com vinhos portugueses e italianos, historicamente subsidiados. A saída será investir em branding e enoturismo.
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Laticínios: A indústria de queijos finos enfrentará uma "invasão" de marcas europeias renomadas. O consumidor ganha na gôndola com preços menores, mas o produtor local terá suas margens espremidas.
⚙️ 3. A Indústria: Tecnologia Mais Barata Para a indústria de transformação (foco da FIESC), o saldo é positivo. O setor metalmecânico do Norte (Joinville/Jaraguá) poderá importar maquinário europeu de ponta sem imposto, modernizando as fábricas. Empresas como WEG e Tupy ganham acesso às cadeias globais sem as taxas que encareciam o produto brasileiro.
🌳 4. O "Muro" Ambiental O maior desafio não é tarifa, é burocracia. Com a nova lei antidesmatamento da UE (Deforestation Regulation), o produtor rural catarinense terá que provar digitalmente a "rastreabilidade" de cada lote. Isso aumenta o custo operacional para provar que a propriedade cumpre o Código Florestal, condição para vender soja ou madeira para a Europa.
Estratégia do Estado O Governo de Jorginho Mello já montou um "Comitê de Monitoramento". O foco é transformar SC no grande hub logístico do acordo: a meta é usar os portos de Itapoá, Navegantes e Imbituba para escoar não só a produção local, mas também a do restante do Sul e do Paraguai.
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