27 de dezembro de 2025
Entre o balanço bilionário e o xadrez de 2026
A última semana do ano em Santa Catarina costuma ser de calmaria nos corredores da Assembleia e do Centro Administrativo, mas 2025 encerra em um ritmo diferente. Enquanto o funcionalismo entra em recesso, os bastidores fervem com a divulgação de números robustos de governo e pesquisas que já desenham o tabuleiro para a reeleição.
Confira os destaques que marcaram a política catarinense nos últimos dias:
1. O "Colchão" de R$ 5,5 Bilhões
O Governo do Estado aproveitou a semana para divulgar seu "grand finale" de 2025. O Executivo celebra um total de R$ 5,5 bilhões em investimentos ao longo do ano, um aumento de 25% em relação a 2024.
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A estratégia: Jorginho Mello (PL) tenta consolidar a marca de "gestor de entregas" antes do ano eleitoral. Os números da Saúde (que alega recorde de 1,2 milhão de cirurgias em três anos) e a (questionada) regularidade fiscal são as vitrines para contrapor as críticas da oposição sobre a lentidão em obras estruturantes no início do mandato.
2. Termômetro Eleitoral: Jorginho Estável, mas com Alertas
A pesquisa Neokemp, divulgada nesta sexta-feira (26), caiu como uma bomba de realidade nos comitês partidários.
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O Cenário: O governador aparece liderando com folga, variando entre 41% e 44% das intenções de voto.
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O Alerta: Apesar da liderança, os números mostram uma estabilidade que sugere um "teto". A dificuldade de furar essa barreira e ampliar a base para além do bolsonarismo raiz será o grande desafio da Casa d'Agronômica em 2026. A rejeição, embora não alarmante, acende uma luz amarela.
3. A "Invasão" Bolsonaro no Senado
A pesquisa também confirmou a força do sobrenome Bolsonaro em solo barriga-verde. A disputa pelas duas vagas ao Senado mostra uma polarização intensa:
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Liderança: A deputada Carol De Toni e Carlos Bolsonaro (agora oficialmente com domicílio eleitoral em SC) aparecem na frente.
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A disputa interna: Isso cria um problema de acomodação na direita. Nomes históricos como Esperidião Amin (PP) aparecem tecnicamente empatados com a esquerda (Décio Lima/PT) no segundo pelotão, pressionados pela força dos "novos" bolsonaristas. A vinda de Carlos Bolsonaro, que renunciou no Rio para forçar uma candidatura em SC, bagunça as alianças locais.
4. Polêmica à Vista: O Fim das Cotas?
O governador Jorginho Mello tem em mãos uma "batata quente" para os primeiros dias de 2026. O projeto aprovado pela Alesc que veta cotas raciais em universidades estaduais e concursos está sob análise jurídica.
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O Dilema: Sancionar agrada a base ideológica, mas quase certamente levará a uma batalha judicial imediata no STF, como já alertaram juristas e a oposição. O governador sinalizou que a Procuradoria está fazendo um "pente-fino" no texto, indicando cautela.
5. Economia: Freio na "Guerra dos Portos"
Uma Medida Provisória (MP) publicada no apagar das luzes (dia 18, repercutindo nesta semana) suspendeu temporariamente os efeitos da "Lei dos Insumos".
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O Motivo: O governo busca evitar uma guerra fiscal predatória e perda de arrecadação, estabelecendo critérios mais rígidos para o uso de créditos de ICMS. É uma manobra técnica, mas com forte impacto no setor importador, vital para a economia do litoral norte.
Curtas da Semana:
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Alesc em Recesso: O parlamento encerrou os trabalhos no dia 19 com produção legislativa 50% maior que no ano anterior, limpando a pauta para um 2026 que promete ser curto devido às eleições.
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IPVA 2026: A Fazenda divulgou o calendário de pagamentos, mantendo as alíquotas atuais, uma notícia de "não aumento" que o governo faz questão de espalhar.
Para ficar de olho na próxima semana: A expectativa pela sanção ou veto do pacote tributário e as articulações de ano novo que podem definir os vices nas chapas majoritárias.
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