Florianópolis – A entrada em vigor do segundo tarifaço norte-americano, prevista para esta quarta-feira (15) de julho de 2026, coloca todo o setor produtivo de Santa Catarina em estado de alerta. Um estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) aponta que o novo regime aduaneiro imposto pelos Estados Unidos desenha um cenário de extrema dificuldade para as empresas catarinenses que dependem do mercado externo.
De acordo com o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, os prejuízos projetados para esta nova etapa se assemelham aos danos socioeconômicos observados no primeiro ciclo de tarifas. "A análise mostra que a economia catarinense já deixou de gerar cerca de 7,6 mil empregos formais apenas no primeiro ciclo de tarifas. A expectativa é de que esta segunda leva tenha efeitos muito parecidos, com prejuízo direto à economia do estado", adverte Seleme.
Mudanças nas tarifas e perda de competitividade
A nova estrutura tarifária altera a alíquota nominal máxima de 50% (praticada no primeiro tarifaço) para 37,5%. Com isso, a tarifa efetiva paga pelo estado — que mede o impacto competitivo real sobre os produtos exportados — cairá de 47,8% para 35,9%.
Entretanto, o economista-chefe da FIESC, Pablo Bittencourt, pondera que essa redução nominal é ilusória. “Esta aparente redução de alíquotas nominais esconde um cenário adverso: os principais concorrentes internacionais do Brasil passarão a ser beneficiados com tarifas ainda mais baixas. Com isso, a vantagem competitiva dos produtos de SC no mercado americano segue prejudicada”, esclarece.
O levantamento revela um impacto assimétrico: dos itens comercializados com os EUA, 518 produtos catarinenses perderão competitividade no comparativo entre as duas fases de sobretaxas, enquanto 608 registrarão ligeira melhora. No setor de madeiras, por exemplo, as molduras e portas catarinenses terão queda de 2,2 pontos percentuais na margem de concorrência global.
Histórico de retração
Os reflexos das políticas aduaneiras de Washington ficaram claros durante o primeiro tarifaço (vigente entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026), período em que as exportações de SC para os Estados Unidos despencaram 38,29%, encolhendo de uma média de US$ 141 milhões para US$ 87 milhões mensais.
Após a Suprema Corte dos EUA anular a medida em fevereiro de 2026, as transações iniciaram uma recuperação gradual sob uma tarifa global temporária de 10%. Contudo, o novo pacote de sobretaxas adicionais de 25% (sob a Seção 301) deve derrubar novamente as vendas ao mercado norte-americano, consolidando uma retração permanente de quase 40%.
Santa Catarina é o estado mais penalizado
A análise técnica da FIESC conclui que Santa Catarina sofrerá impactos significativamente mais severos do que a média nacional. Isso ocorre porque o estado possui uma pauta de exportações altamente concentrada em produtos manufaturados de alto valor agregado, que são o principal alvo das restrições do governo norte-americano.
Enquanto a parcela das exportações brasileiras atingidas pelas tarifas cairá de 33% para 25% na média do país, em Santa Catarina esse índice ficará estagnado em elevados 56%.
