Florianópolis – A rápida migração da criminalidade do ambiente físico para o digital tem transformado a gestão de riscos e impulsionado o mercado de seguros corporativos em Santa Catarina. Atraídas pela necessidade de proteção financeira contra invasões de sistemas e vazamento de dados, empresas catarinenses têm buscado massivamente o Seguro de Riscos Cibernéticos. De acordo com dados oficiais da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), a arrecadação deste produto no estado alcançou a marca de R$ 5,7 milhões nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026, representando uma alta de 8,7% na comparação com o ciclo anterior.
Esse avanço mercadológico reflete diretamente a escalada dos delitos virtuais. Conforme apurado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, os golpes eletrônicos em Santa Catarina cresceram 9,5% em seu período recente de amostragem. A taxa de estelionato eletrônico em solo catarinense atingiu o patamar de 903,8 casos para cada 100 mil habitantes — um índice que supera em mais de quatro vezes a média nacional, estipulada em 200,6 ocorrências por 100 mil habitantes.
O reflexo financeiro dessas investidas criminosas e o amadurecimento dos contratos de seguros também aparecem nas estatísticas do setor. O pagamento de indenizações por sinistros cibernéticos em Santa Catarina registrou um crescimento expressivo de 33,3% no acumulado de 12 meses finalizado em março de 2026, somando R$ 22 mil desembolsados pelas seguradoras para mitigar perdas das vítimas.
Contraste com a segurança física
Os dados revelam um cenário paradoxal no estado. Enquanto o Atlas da Violência consolidou Santa Catarina como o segundo estado mais seguro do país em termos de letalidade e apontou quedas históricas consistentes nos crimes patrimoniais cometidos com violência direta (como roubos e assaltos), a unidade federativa destaca-se negativamente na liderança nacional dos crimes de estelionato eletrônico.
Para o presidente do Sindicato das Seguradoras de Santa Catarina (SindsegSC), João Amato, a popularização e a facilidade das movimentações bancárias digitais explicam essa migração das quadrilhas. "Com o crescimento exponencial do volume de transações bancárias por canais digitais, os criminosos estão migrando para o ambiente virtual por conta do menor risco e do maior potencial de perda financeira para as vítimas", avalia. A estimativa do setor aponta que as transações via aplicativos e internet banking já representam 81,5% de todas as operações bancárias efetuadas no país.
Cibersegurança estratégica
Segundo Victor Perego, especialista da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o cenário atual transformou a cibersegurança em pauta obrigatória para salas de reuniões e diretorias de empresas, deixando de ser um assunto exclusivo dos setores de tecnologia da informação (TI). "O risco cibernético passou a ocupar espaço nas agendas de governança, compliance e continuidade dos negócios. Nesse contexto, o seguro cyber ganha relevância não apenas pela proteção financeira após um incidente, mas também por integrar uma estratégia mais ampla de resiliência operacional das empresas", pontua Perego.
O Seguro de Riscos Cibernéticos atua na proteção de empresas e profissionais diante de prejuízos decorrentes de ataques virtuais, invasão de servidores, extorsão digital (ransomware) e violação de propriedade intelectual. As apólices cobrem custos com reparação de danos à imagem e lucros cessantes decorrentes da interrupção das atividades, além de oferecerem amparo jurídico e financeiro caso a empresa seja acionada judicialmente por clientes ou órgãos reguladores devido a falhas na segurança de dados. O produto está disponível para negócios de todos os portes, com extensões contratuais para diretores e colaboradores.
