Criciúma – Os produtores de arroz de Santa Catarina deram início à estruturação da safra de arroz 2026/2027. O trabalho, concentrado no período atual de entressafra, foca no manejo e na preparação mecânica do solo. Essa fase inicial do ciclo agrícola é considerada determinante para garantir a qualidade do grão que abastecerá os mercados nacional e estadual, além de ditar a eficiência produtiva das lavouras integradas às indústrias que compõem o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC).
Atualmente, o território catarinense consolida-se como o segundo maior produtor de arroz do Brasil, com o cultivo irrigado distribuído por 94 municípios, somando uma área total de 149,5 mil hectares. Historicamente adaptado ao sistema de cultivo pré-germinado — caracterizado pelo nivelamento preciso da terra, irrigação e drenagem controladas —, o setor rizicultor do estado realiza agora operações essenciais de limpeza do solo após os encerramentos das colheitas ocorridos entre fevereiro e abril.
As Etapas Técnicas do Manejo da Entressafra
A engenharia agronômica da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) recomenda um cronograma técnico rigoroso de intervenções para otimizar as propriedades da terra e mitigar pragas antes do novo plantio:
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Manejo da Palhada: Utilização do equipamento rolo-faca acoplado ao trator para amassar e fragmentar os restos de caules, raízes e palhas da safra anterior. A técnica aproxima os resíduos orgânicos da terra, acelerando a decomposição e estimulando a germinação precoce de sementes invasoras.
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Abertura de Canais: Emprego de valetadeiras mecânicas para a abertura e desobstrução de drenos superficiais e canais de escoamento de água em cada quadra da plantação.
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Combate a Invasoras: Aplicação de uma segunda passagem do rolo-faca de 15 a 20 dias após a drenagem para cortar novas plantas daninhas. Passados de 45 a 60 dias, adota-se o controle químico por herbicidas.
O principal objetivo dessa sequência de ações é diminuir drasticamente o banco de sementes nocivas no solo, impedir o surgimento e florescimento da soca (brotamento secundário) e evitar o cruzamento genético do "arroz vermelho" com o grão comercial. De acordo com o presidente do SindArroz-SC, Walmir Rampinelli, o cuidado precoce impacta diretamente o rendimento industrial do produto.
Automação como Resposta à Crise do Setor
Apesar do forte alinhamento técnico no campo, a cadeia produtiva catarinense enfrenta fatores de pressão econômica externa. Os reflexos das crises financeiras registradas nas safras 2024/2025 e 2025/2026 continuam a impor desafios de margem de lucro para os produtores e indústrias de beneficiamento do cereal.
Para mitigar a alta dos custos de insumos e responder à severa escassez de mão de obra especializada no setor — agravada pelas discussões de mercado acerca de reduções na jornada de trabalho —, as indústrias de arroz do estado têm acelerado investimentos internos de modernização. A principal estratégia tem sido o avanço da automação industrial nas plantas fabris, utilizando maquinários de tecnologia avançada para otimizar os processos de seleção, empacotamento e logística, mantendo a competitividade de mercado e o abastecimento de alimentos sem perda de qualidade.
