Florianópolis – As polícias Civil e Militar Ambiental de Santa Catarina deflagraram, na manhã desta quinta-feira (16), uma operação integrada para combater a prática ilegal da "farra do boi" na Capital. Devido às características geográficas e ao difícil acesso à Costa da Lagoa, comunidade tradicional de pescadores na Lagoa da Conceição, as equipes de segurança utilizaram lanchas e embarcações para cumprir oito mandados de busca e apreensão na localidade.
No total, a Justiça expediu nove mandados de busca para Florianópolis. A farra do boi é considerada crime ambiental no Brasil pela Lei nº 9.605/1998, pois consiste em maus-tratos, onde animais são soltos em vias públicas ou locais ermos para serem perseguidos, encurralados e agredidos até a exaustão física extrema.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Alex Bonfim, a ação policial é um desdobramento direto de uma grande operação deflagrada em maio deste ano, que investiga a organização de eventos clandestinos de farra do boi na região no início de 2026.
Apreensões e resgate de fauna silvestre
Durante as buscas nas residências dos alvos na manhã de hoje, os policiais apreenderam aparelhos celulares, documentos que auxiliam nas investigações e diversas aves mantidas em cativeiro sem o devido registro dos órgãos competentes. "Elas não apresentavam anilhas, eram animais silvestres. Então, elas foram apreendidas e agora vão ser encaminhadas ao Cetas [Centro de Triagem de Animais Silvestres] para verificar a viabilidade de serem reintegradas na natureza", explicou o delegado Alex Bonfim.
A prática da farra do boi, introduzida originalmente por imigrantes açorianos no litoral catarinense como um ritual cultural, hoje é amplamente proibida pela legislação brasileira e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido à crueldade intrínseca imposta aos animais utilizados na atividade.
Com informações da NSC
