Monte Carlo – O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagrou, na manhã desta quarta-feira, 21 de outubro, a Operação "Simbiose". A ação visa aprofundar as investigações sobre um suposto esquema ilícito direcionado ao favorecimento de contratações públicas e ao desvio de verbas no município de Monte Carlo.
As apurações, conduzidas pelo Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), apontam que os fatos investigados tiveram início em 2017, durante a antiga gestão municipal, com indícios de continuidade nos anos posteriores. O foco inicial esteve em contratos na área da saúde firmados com empresas ligadas a um mesmo núcleo empresarial. Com o avanço das diligências, identificou-se a expansão do esquema para outros setores da prefeitura, por meio de pessoas jurídicas conectadas por laços familiares, societários e operacionais.
Cerca de R$ 31,6 milhões repassados a grupo investigado
Segundo levantamento do MPSC, as empresas associadas ao núcleo sob investigação receberam mais de R$ 31,6 milhões dos cofres municipais de Monte Carlo no período analisado. As autoridades identificaram indícios de uso de laranjas, aditivos contratuais recorrentes e movimentações atípicas compatíveis com ocultação patrimonial e corrupção.
Por determinação do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), 20 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas cidades de Monte Carlo e Fraiburgo, com buscas efetuadas em endereços residenciais, empresas e na sede da Prefeitura de Monte Carlo. Entre os alvos da operação figuram uma ex-prefeita do município e dois advogados sócios das empresas investigadas. Os materiais recolhidos seguirão para perícia oficial da Polícia Científica.
O nome "Simbiose" faz referência à relação de interdependência apurada entre os agentes públicos e empresários envolvidos para manter o fluxo de contratos e benefícios financeiros mútuos. O processo tramita em segredo de justiça.
