Florianópolis – Celebrado neste 22 de julho, o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio mobiliza Santa Catarina em um chamado à reflexão, conscientização e prevenção contra a forma mais extrema de violência de gênero. Para marcar a data e qualificar o debate público, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) destacou o avanço do Mapa do Feminicídio de Santa Catarina, desenvolvido pelo Núcleo de Enfrentamento a Violências e Apoio às Vítimas (NEAVIT) e pelo Escritório de Ciências de Dados Criminais (EDC). A ferramenta analisa as dinâmicas criminais e serve de base para o fortalecimento da rede de proteção às mulheres em todo o estado.
A urgência do tema é respaldada por números preocupantes: até este dia 22 de julho de 2026, Santa Catarina já contabilizou 30 casos de feminicídio no ano, segundo dados oficiais do Observatório da Violência Contra a Mulher. O índice representa um salto expressivo de aproximadamente 33% a 36% em comparação ao mesmo período de 2025, caminhando na contramão da média nacional, que registrou queda de 2,5% no primeiro semestre.
Além de traçar o perfil dos agressores e a espiral de abusos que antecede o crime, o MPSC iniciou uma parceria com a Polícia Científica para mapear os orfãos do feminicídio. Levantamentos prévios do órgão revelam que 65,6% das vítimas eram mães — e 45,9% delas tinham filhos em comum com o próprio assassino. A coordenadora-geral do NEAVIT, promotora Chimelly Louise de Resenes Marcon, enfatizou que entender e antecipar os sinais de perigo é a chave para interromper o ciclo de agressões, acolher as vítimas vulneráveis e evitar que mais famílias sejam devastadas pela violência letal.
