Itajaí – O desaparecimento que mobilizou buscas intensas por semanas teve um desfecho trágico e resultou em denúncia criminal. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou formalmente o pai de uma adolescente de 17 anos, encontrada morta, pelos crimes de sequestro, feminicídio e ocultação de cadáver. A acusação aponta que os atos foram cometidos em um contexto de extrema violência doméstica.
A denúncia, apresentada pela Promotora de Justiça Micaela Cristina Villain, da 1ª Promotoria de Justiça de Itajaí, detalha que a jovem foi retirada de casa à força na madrugada de 30 de novembro de 2025. O agressor teria utilizado um dispositivo de choque para dominar a vítima, levando-a em seguida para uma área rural no município. Entre aquela madrugada e o dia 1º de dezembro, o homem teria assassinado a própria filha.
O MPSC sustenta que o crime foi motivado por vingança (motivo torpe), já que o denunciado possuía uma condenação criminal anterior por abusos sexuais cometidos contra a mesma adolescente. A acusação destaca ainda o uso de meio cruel e recursos que impossibilitaram a defesa da vítima, como a imobilização com abraçadeiras plásticas e fita adesiva.
Após o homicídio, o pai teria transportado o corpo até um sítio de sua propriedade no município de Caraá (RS). O cadáver foi ocultado em uma valeta numa área de mata fechada e coberto com lona e pedras, sendo localizado pelas autoridades apenas em 16 de janeiro de 2026.
O caso foi enquadrado sob a égide da Lei Henry Borel. O Ministério Público requer que a acusação seja recebida, que o réu vá a julgamento pelo Tribunal do Júri e pede uma indenização mínima de R$ 100 mil para a família da vítima, a título de reparação. "Foi uma investigação dolorosa, que revelou uma sequência de violências extremamente graves dentro do próprio ambiente familiar. A denúncia representa um passo essencial para a busca de justiça e para a proteção de meninas e mulheres", destacou a Promotora Micaela Cristina Villain.
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