Florianópolis – A Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) inaugurou uma exposição especial na Galeria Ernesto Meyer Filho para marcar os 125 anos de nascimento de Antonieta de Barros, celebrados neste sábado (11). O evento homenageia a primeira mulher negra eleita deputada estadual no Brasil, que também fez história no Estado como professora, escritora, jornalista e ícone do movimento negro.
A mostra, que permanece aberta ao público até o final do mês, apresenta representações de Antonieta em telas elaboradas por vários artistas plásticos, além de cartazes selecionados de alunos que participaram do ciclo pedagógico “Escrevivências”. A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Associação de Educadores Negros de Santa Catarina (Aensc) e a Associação de Mulheres Negras Antonieta de Barros (Amab), que realizam o projeto desde 2023.
Nascida em 1901, apenas 13 anos após a abolição da escravatura, Antonieta alfabetizou-se precocemente e tornou-se professora muito jovem. Na imprensa, fundou o jornal A Semana e a revista Vida Ilhoa, assinando com o pseudônimo de Maria da Ilha para combater desigualdades. Em 1934, elegeu-se deputada e, como constituinte em 1935, foi relatora dos capítulos de educação e cultura, sendo a responsável pela lei que instituiu o Dia do Professor e defensora de bolsas de estudo e concursos públicos para o magistério.
O legado de Antonieta reflete-se em toda a Capital. Quem chega à Ilha passa pelo complexo de túneis que leva seu nome; na Alesc, ela denomina o auditório principal e possui um busto no Plenário Osni Régis. "Levar nossas personalidades para as escolas faz com que os jovens multipliquem esse conhecimento para a sociedade", destaca a liderança negra Maria Aparecida Rita Moreira. Atualmente, movimentos sociais trabalham para recuperar o prédio da antiga escola que levou seu nome, no Centro Leste, com o objetivo de transformá-lo em um futuro centro cultural.
